Ficha de Leitura 3
Aprender a brincar ao ar livre num jardim de infância em Portugal: Um Estudo de Caso
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Martins, C. & Neves, I. (2020). Aprender a brincar ao ar livre num jardim de infância em Portugal: um Estudo de Caso. Revista Liberato, 21(36), 101-130. https://www.researchgate.net/publication/347610932_Aprender_a_brincar_ao_ar_livre_num_jardim_de_infancia_em_Portugal_um_Estudo_de_Caso
PALAVRAS-CHAVE
Brincadeira; Aprendizagem na natureza; Crianças
RESUMO
Nos dias de hoje é mais notável que o brincar na rua é algo que cada vez mais torna-se inexistente ou raro, esta situação pode ser observada nos jardins de infância onde as crianças vão ter pouco tempo para esta atividade em específico visto que existem outras atividades que são consideradas como mais relevantes para o desenvolvimento das crianças.
Para Ferreira citado por Martins e Neves (2020), ao contemplarmos as crianças somos capazes de colher dados acerca das mesmas, como por exemplo aquilo que elas já sabem sobre o mundo que os rodeia, a sua comunicação ou mesmo informações de caráter pessoal.
Contudo, tal como mencionado por Kishimoto "para que o brincar tenha qualidade, é preciso um intenso planejamento do ambiente educativo, e essa é justamente a função das instituições de educação infantil" (Kishimoto citado por Martins & Neves, 2020, p.122), com isto é possível compreender que o educador vai ter um papel fundamental uma vez que é ele que vai de certa forma planejar e perceber o modo como as brincadeiras podem influenciar o seu grupo de crianças, um outro fator que não podemos esquecer é o espaço, que se for organizado do modo certo vai viabilizar oportunidades para que as crianças possam ter aprendizagens significativas e enriquecedoras, aprendizagens que se centram na exploração dos espaços, na melhoria dos sentidos, nas relações interpessoais e também na conservação e proteção do meio ambiente, com isto as brincadeiras na natureza requerem que "o educador reflita sobre as suas potencialidades e que a sua organização seja cuidadosamente pensada" (Silva et al. citados por Martins & Neves, 2020, p.123).
Neste artigo, os autores mencionaram que o espaço exterior em determinadas situações podem ter uma maior relevância do que o espaço interior, uma vez que o primeiro permite a existência de aprendizagens que apresentem um vasto leque de possibilidades pedagógicas, por este ângulo é imprescindível que estejam presentes diversos materiais, que tal como foi afirmado por Oliveira-Formosinho citada por Martins e Neves (2020) devem-se caraterizar por serem "zonas de sombra, de solo irregular e terreno uniforme, zonas com água e areia e outros materiais" (p.123).
Entrando agora nos modelos pedagógicos é possível distinguir dois tipos de modelo, são eles o modelo "High/Scope" e o modelo "Forest School", para o primeiro "as brincadeiras ao ar livre são mais do que meras atividades lúdicas. Através desses momentos, as crianças apropriam-se do mundo envolvente e descobrem a si e a outros" (Martins & Neves, 2020, p.123).
Já o segundo modelo tem como objetivos a promoção da interação e da entreajuda entre pares, a avaliação das próprias capacidades, a melhoria das relações interpessoais, o desenvolvimento da criatividade e também a melhoria do bem estar e do sistema imunitário.
Tal como em outros contextos, o contexto da natureza também tem os seus desafios, que por si podem aprimorar os nossos sentidos, tal como dito por Cochito :
[...] o olfato, tato, paladar, visão e audição, o contacto com os quatro elementos da natureza - terra, fogo, água e ar, a aproximação com a fauna e a flora local, a exploração das capacidades e habilidades motoras (subir em árvores, cavando, escalando, correndo, etc.), exercícios para a autonomia, socialização (Cochito citado por Martins & Neves, 2020, p.123)
Consequentemente é possível compreender que a brincadeira ao ar livre e a própria natureza concedem diversas experiências aos indivíduos, na interação entre os mesmos e a natureza, para além disso ela pode ter um efeito terapêutico e transmitir calma.
Por fim, com a brincadeira é possível com que a criança possa refletir acerca do que se encontra ao redor dela, e ela faz isto por meio de jogos simbólicos.
REFLEXÃO CRÍTICA
Primeiramente quando estava à procura de um artigo para fazer a ficha de leitura, achei esta pesquisa sobre a brincadeira ao ar livre num jardim de infância, e à primeira vista isto não vai ter nada a ver com a instituição onde o meu grupo se encontra a realizar o trabalho de campo.
Mas então porque o escolhi? Escolhi-o porque enquanto este artigo é muito dirigido para a aprendizagem num contexto da escola, ele ainda menciona os benefícios que tem a aprendizagem na natureza que é algo que pode ser facilmente relacionado com o Jardim Botânico da Ajuda.
E apesar deste artigo se centrar nas crianças em idade pré-escolar, ele também pode ser adaptado e aplicado nas várias faixas etárias, com a leitura deste artigo pude compreender que na sociedade atual muitas vezes os benefícios que pudemos retirar da aprendizagem com a natureza muitas vezes são ignorados seja pela falta de tempo ou pela "pressão" que existe pela participação em atividades que sejam organizadas.
Falando agora do jardim botânico eles são espaços abertos que podem ter diversas funções entre elas encontram-se funções de caráter preventivo, educativo ou cultural, aí os visitantes poderão aprender, sobretudo, de um modo informal, por meio de atividades lúdicas, no entanto isto não vai excluir a educação formal ou não formal.
